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13/06/2009
- A educação no combate ao trabalho infantil
“Com Educação
nossas crianças aprendem a escrever um novo presente, sem trabalho infantil”.
Esse é o tema da campanha de 2009 que marca o combate ao trabalho infantil
no Brasil. Lançada em Brasília, a iniciativa está encabeçada pelo Fórum Nacional
de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI) e marca as comemorações
do Dia Nacional e Mundial Contra o Trabalho Infantil, 12 de junho. A iniciativa
tem o apoio da Agência de Notícia dos Direitos da Infância (ANDI), Frente
Parlamentar em Defesa dos Direitos da Criança, Comissão de Educação e Cultura
da Câmara dos Deputados, Organização Internacional do Trabalho (OIT), Fundo
das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e Plenarinho, da Câmara dos Deputados.
Segundo
a secretária executiva do FNPETI, Isa Oliveira, o tema ‘educação’ foi
sugerido pela rede que atua no combate ao trabalho infantil pelo segundo
ano consecutivo porque existe um consenso entre os fóruns estaduais e
atores sociais de que a educação é uma das estratégias mais importantes
e eficazes contra essa violação de direitos. “Pesquisas indicam que as
crianças e os adolescentes que trabalham têm um rendimento escolar muito
menor do que aqueles que não trabalham. E é de 5 a 15 anos de idade a
faixa que mais concentra meninos e meninas em situação de trabalho, período
da vida em que, por lei, eles devem estar estudando”, diz.
Para
o presidente executivo do Movimento Todos pela Educação e também Membro
do Conselho Nacional de Educação (CNE), Mozart Neves Ramos, a educação
é o único vetor capaz de aliar o desenvolvimento econômico com o desenvolvimento
social. E as discussões atuais circulam em torno da obrigatoriedade do
ensino médio em todo o País. No Artigo 22 da Lei de Diretrizes e Bases
da Educação Nacional (LDB), o Ensino Médio é situado como etapa final
da Educação Básica, e definido como a conclusão de um período de escolarização
de caráter geral. É parte de uma etapa da escolarização que tem por finalidade
o desenvolvimento do indivíduo, assegurando-lhe a formação comum indispensável
para o exercício da cidadania, fornecendo-lhe os meios para progredir
no trabalho e em estudos posteriores. É fundamental que seja garantido
por lei.
“Sabemos
que muitas mudanças são necessárias para que seja implantado o que imaginamos
como um ‘Ensino Médio Inovador’. Queremos uma escola que caiba na vida,
que se encaixe na realidade social e econômica do jovem”, esclarece Mozart.
Segundo ele, os adolescentes brasileiros hoje passam pouco tempo na escola.
“Nossa intenção é aumentar 200 horas / aulas por cada ano do ensino médio,
ou seja, somar mais 600 horas de atividades. Queremos inserir coisas que
os jovens já procuram, mas que estão desagregadas do currículo. A escola
hoje é uma incubadora cultural, mas isso informalmente”, lamenta.
E para
que um novo ensino médio seja realmente implantado, o sistema pede uma
escola de qualidade, o que, para Mozart, passa por alguns pontos principais,
como a profissionalização da gestão escolar, fim da disparidade estrutural
entre as unidades de ensino e qualificação dos docentes. “Não podemos
mais admitir que a diretoria de uma unidade escolar seja indicação política,
uma pessoa precisa ter, no mínimo, um curso para fazer essa administração.
Não podem mais existir escolas com estrutura de primeiro mundo e outras
sem água e nem banheiro, é preciso que todas tenham condições de oferecer
as mesmas atividades. Mas, talvez, o mais importante a ser melhorado seja
a situação do professor. Precisamos de gente qualificada, com condições
apropriadas de trabalho e salários condizentes”, aponta. “Sem essas prioridades,
não vamos vencer o desafio da qualidade da educação. Desejamos uma escola
acolhedora, animadora, que afaste as crianças e os adolescentes da rua,
do trabalho e que promova a verdadeira cidadania”, ressalta. Educação
X Trabalho Infantil “Precisamos estimular que o adolescente faça a escolha
pela escola”, diz Isa de Oliveira, do FNPETI. A falta de interesse pela
escola, que muitas vezes provoca mau desempenho nas notas, resulta na
opção por outra atividade. “O insucesso escolar tem que ser atribuído
à escola, e não ao estudante. Isso piora ainda mais sua autoestima, e
ele acredita que não teve competência para terminar o curso, o que não
é verdade”, lembra.
E segundo
Isa, meninos e meninas das áreas rurais passam por mais dificuldades ainda:
60% das crianças que trabalham estão nas cidades do interior. Somada à
cultura de ajudar a família em trabalhos pesados e sem remuneração, as
crianças da zona rural ainda estão sujeitas a uma menor oferta de unidades
de ensino, grandes distâncias até a escola, precariedade ou inexistência
de transporte e outras dificuldades para estudar.
Campanha.
A campanha para o 12 de junho de 2009 foi produzida pela agência Fields
Comunicação e traz cartazes, spot de rádio e VT para a televisão. As peças
serão distribuídas pelo FNPETI pelos fóruns estaduais de erradicação do
trabalho infantil, municípios que solicitam participar da campanha e também
nas escolas. Os cartazes abordam os temas do trabalho infantil doméstico,
no lixo, na agricultura e na rua e o spot para rádio foi gravado por adultos
que fazem as vozes de personagens da Turma do Plenarinho. O VT para a
televisão está disponível para todos os canais abertos ou fechados que
estiverem interessados em combater o trabalho de meninos e meninas em
todo o Brasil.
DADOS:
- Os
estados das regiões Nordeste e Sul são os que mais concentram casos de
trabalho infantil no Brasil.
- 1,8
milhão de crianças no Nordeste trabalham e 98% delas estão em situação
ilegal, sem vínculos nem com a lei de aprendizagem.
- 10,8%
dos meninos e meninas do Brasil estão em situação de trabalho.
- Percentualmente,
os estados do Sul têm uma média maior que a nacional: 13% de crianças
e adolescentes vítimas do trabalho infantil.
Fonte:
FNPETI com informações do IBGE.
12 de Junho. Desde 2002, a Organização Internacional do Trabalho escolheu
o 12 de junho como o Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil, data
em que foi lido relatório sobre o tema na Conferência do Trabalho que
ocorre anualmente em Genebra (Suíça). No Brasil, a data foi decretada
como o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Infantil pela lei 11.542 de
2007, sancionada pelo presidente Lula.
Fontes:
Fórum
Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI) - Isa
de Oliveira - secretária executiva: (61) 2025-3880
Campanha
Todos pela Educação Mozart Neves Ramos – presidente executivo Andréa Martini
Pineda – assessora de imprensa: (11) 3266-5477 - andrea@todospelaeducacao.org.br
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