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15/05/2009
- Ferimentos por armas de fogo custaram R$ 93 milhões ao SUS nos últimos cinco
anos
Nos
últimos cinco anos, as internações de pessoas feridas por arma de fogo
em unidades do SUS (Sistema Único de Saúde) no Brasil custaram R$ 93 milhões
aos cofres públicos. Entre janeiro de 2004 e dezembro de 2008, houve 88
mil internações deste tipo registradas em todo o Brasil. O levantamento
foi feito pela Agência Brasil, com base nos dados do SUS.
Para
a pesquisadora Edinilsa Ramos, do Centro Latino-americano de Estudos de
Violência e Saúde, da Escola Nacional de Saúde Pública, os custos com
tratamento de baleados no país são ainda maiores, já que estes dados do
SUS mostram apenas as internações e não incluem os gastos com pacientes
que morreram nas emergências ou que receberam alta sem precisar da internação.
Segundo
Ramos, as agressões por armas de fogo geram um ônus muito grande para
a saúde pública brasileira. "Para a saúde, sobra esse ônus de atender
a esses feridos, de atender às pessoas que precisam de cirurgias. E essas
cirurgias, muitas vezes, envolvem equipes altamente especializadas, porque
[os pacientes] são politraumatizados, são feridos por armas de fogo que
produzem um estrago muito grande no corpo das pessoas", disse.
A pesquisadora
acrescenta ainda que os custos com os ferimentos por bala extrapolam a
questão do atendimento nos hospitais. Segundo ela, o uso das armas de
fogo tem também custos sociais que não podem ser medidos, como a perda
ou incapacitação de um chefe de família e os gastos com aparatos de segurança.
Os
dados do SUS mostram ainda que 88% das internações de 2004 a 2008 foram
de pacientes do sexo masculino e que quase 60% das vítimas internadas
tinham entre 15 e 29 anos. "O padrão epidemiológico é esse: são pessoas
jovens, que são as maiores vítimas, do sexo masculino, de cor negra e
moradores das áreas empobrecidas das grandes cidades", afirma Edinilsa
Ramos.
Entre
os Estados que tiveram mais gastos com o tratamento de baleados estão
São Paulo, com R$ 20,7 milhões (19.200 internações); Minas Gerais, com
R$ 13 milhões (8.500 internações); Bahia, com R$ 12,6 milhões (12.300
internações); Rio de Janeiro, com R$ 7,8 milhões (8.400 internações);
Rio Grande do Sul, com R$ 6 milhões (5.600 internações); e Ceará, com
R$ 5,5 milhões (5.200 internações).
Fonte:
Folha de São Paulo On line
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