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08/05/09 - São
Paulo - Aluno leva revólver à sala de aula e cria dilema em colégio.
Com um revólver Rossi calibre
38 na mochila, o estudante de 14 anos entrou na Escola Nossa Senhora das
Graças, apelido "Gracinha", 1.100 alunos oriundos de 900 famílias de classe
média alta paulistana, mensalidades da ordem de R$ 1.600. Reservadamente,
o adolescente retirou o artefato da bolsa e exibiu-o para cinco colegas.
Também mostrou munição -de uma arma calibre 32.
O caso aconteceu no dia
13 de março. De lá para cá, a escola partiu-se em dois. Um grupo, ainda
impactado pelas 16 mortes, apenas dois dias antes, em massacre provocado
por um estudante na cidade de Winnenden, Alemanha, exige a imediata expulsão
do adolescente. Outra parte quer fazer do fato uma oportunidade para debater
a violência e a paz.
O revólver calibre 38 que
entrou na escola brasileira pertencia ao pai do estudante. Tratava-se
de uma arma legal, registrada na Polícia Civil de Mato Grosso. Estava
escondida em um armário. O menino encontrou-a porque estava atrás de um
cabo de computador, que os pais haviam retirado da máquina. Indo atrás
do cabo, o rapaz encontrou o revólver. Familiares, amigos e professores
garantem que o menino não ameaçou ninguém com a arma. "É grave o que ele
fez, mas não incluiu ameaça, e, sim, exibição", diz uma mãe. Quem tomou
a iniciativa de denunciar o ocorrido foram os próprios pais do adolescente.
Informados da traquinagem do garoto por outro pai, que soube da história
pelo filho (um dos que viram a exibição da arma), eles correram para a
escola.
Na segunda-feira da semana
passada, bem cedinho, a família estava toda lá: pai, mãe e aluno. Procuraram
o diretor da escola, professor Eduardo Roberto da Silva, 58, e a coordenadora
pedagógico-educacional, Maria Stella Scavazzi, 64. A escola suspendeu
o menino imediatamente (ele ficará em casa até que se tome uma decisão
sobre sua permanência ou não no corpo discente). Também incumbiu-o de
realizar um trabalho com o tema "Cultura e Educação para a Paz". O pai
deu-se outras tarefas. "Domingo, mostrei ao meu filho as estatísticas
de mortes por acidentes com armas de fogo [54% dos quais envolvem crianças
de zero a 14 anos, com duas mortes por dia]." Na segunda passada, toda
a família foi à sede da Polícia Federal no aeroporto de Congonhas, entregar
a arma e a munição.
"A gente nunca havia conversado
com o X. sobre como ele deveria se comportar em relação ao revólver. Era
como se essa arma, que estava guardada, nem existisse em nossa casa. Ela
não fazia parte das nossas vidas", disse a mãe à Folha. "Eles tinham uma
arma e nunca prestaram atenção ao imenso potencial destrutivo disso? E
se tivesse morrido uma criança?", atacou um pai, desejoso da expulsão
do aluno. Favorável à permanência do estudante, uma mãe respondeu: "Eu
tenho garrafas de bebidas alcoólicas, canivete e até uma espada ninja
decorativa. Para mim, o que aconteceu na escola -com essa arma- foi um
alerta. É tanta coisa que a gente não presta atenção". "Tá bom, mas será
que eu vou ter coragem de deixar o meu filho ir a uma festa de aniversário
em que esse garoto esteja?", perguntava-se, pragmática, outra mãe, chocada
com a descoberta de que "não é só na periferia que alunos podem vir a
ter contato com revólveres e outras armas".
Pelo fato de seu filho
ter andado com a arma, levado-a à escola, exibido-a, o pai do adolescente
poderá ser acusado de negligência, com pena alternativa de prestação de
trabalhos comunitários. Essa é a parte menos importante para a família:
"Tudo foi tratado às claras. A permanência dele na escola vai provar que
o caminho da verdade, por mais doloroso e difícil que seja, é o mais correto.
Isso é o que quero ensinar a meu filho", diz o pai.
Fonte: www.deolhonoestatuto.org.br |
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